quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

SANTA MARGARIDA MARIA E O CARNAVAL


“por meio do Coração
Imaculado de Maria”
SANTA MARGARIDA MARIA
E O CARNAVAL Hugo Ferreira Pinto
“Certa vez, em tempo de Carnaval... Ele (Jesus) se me apresentou na figura de um ECCE HOMO (“eis aqui o homem” Jo 19,5), carregando sua Cruz, todo coberto de chagas e contusões e brotando, de todo o seu corpo, seu Sangue adorável. Com uma voz dolorosamente triste, dizia:
‘Não haverá ninguém que tenha piedade de Mim e queira compadecer-se e tomar parte em minha dor vendo o lastimoso estado em que Me põem os pecadores, sobretudo neste tempo de Carnaval?’
Prostrando-me aos seus sagrados pés, ofereci-me a Ele, com lágrimas e suspiros. Colocou sobre os meus ombros aquela pesada Cruz *, toda eriçada de pontas de pregos, e sentindo-me sucumbida sob o seu peso, comecei a compreender melhor a gravidade e malícia do pecado, a qual sentia tão vivamente no meu coração, que teria preferido mil vezes precipitar-me no Inferno a cometer voluntariamente um único pecado. ‘Maldito pecado – disse – que detestável és, pela injúria que fazes a meu soberano Bem!’” (Santa Margarida Maria, Autobiografia, capítulo 9).
“Parecia-me que me cravavam em uma cruz dolorosíssima, na qual sofri tanto que dificilmente poderia explicar e nem conhecia a mim mesma sobretudo nos três últimos dias de Carnaval, nos quais acreditei que estava próximo o meu fim.” (Carta de Santa Margarida Maria à Madre Saumaise – n° 62 – em Março de 1687).
“Meus sofrimentos são tais que acreditava que ia morrer em cada momento, embora já tivessem sido anunciados por este caritativo Coração. Creio que me fez o seguinte pedido: ‘Se queria acompanhá-Lo na Cruz durante este tempo (de Carnaval) em que está tão abandonado pelo empenho que todos tem de divertir-se, e pelas amarguras que me faria sentir, poderia eu, em algum modo, suavizar as que os pecadores derramam sem cessar em seu Sagrado Coração; que devia, sem cessar, gemer com Ele para alcançar misericórdia, a fim de que os pecados não chegassem ao cúmulo, e Deus perdoasse os pecadores pelo amor que tem a este amável Coração, que não cessa de consumir-Se pelo amor que tem aos homens.” (Carta 97 de Santa Margarida Maria à Madre Saumaise)
“Durante os três dias de Carnaval, queria fazer-me em pedaços para reparar os ultrajes que fazem sofrer os pecadores à Sua Divina Majestade; e enquanto me era possível, os passava jejuando a pão e água, dando aos pobres o que recebia para meu alimento.” (Santa Margarida Maria, Escritos Autobiográficos – Tejada SJ – 2ª Edição, p.99).
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* “O Sudário e a Túnica:” O estudo do Sudário não permitiu concluir que Jesus carregasse a Cruz completa, mas o estudo da Túnica sim: Pormenores históricos que intrigavam os cientistas ficaram esclarecidos.pelo estudo da Túnica de Argenteuil. Um deles é que os romanos - executores materiais da Crucifixão, sob a pressão do ódio judeu - não costumavam obrigar o condenado a carregar a Cruz inteira. Eles já deixavam o tronco principal encravado no local do suplício - no caso, o Calvário -, mas forçavam o sentenciado a levar a trave da Cruz, chamada patibulum. Em sentido contrário, os quatro Evangelhos não falam do patibulum, mas só da Cruz: "Et baiulans sibi crucem exivit in eum" (Jo 19, 17). São Mateus, São Marcos e São Lucas mencionam o cruzeiro no episódio em que o Cireneu foi obrigado a ajudar Nosso Senhor Jesus Cristo a carregá-lo.Ora, na análise computadorizada das fotografias da Túnica aparecem com toda clareza possível as chagas e tumefações provocadas por uma cruz, e não por um mero patibulum. As manchas de sangue indicam que na Via Sacra os dois madeiros cruzaram-se na altura do omoplata esquerdo de Nosso Senhor.
“Meu Reverendo Padre: Nosso soberano Dono Se dignou infundir-me muito consolo com a leitura de vossa carta, depois de ter-me proibido de lê-la por muito tempo, por causa de certo impulso demasiado impetuoso que me tinha vindo de buscar nela consolo no sensível e doloroso estado de sofrimento em que Ele me havia colocado durante o Carnaval. Ofendem-No e O abandonam tantos pecadores! Parece-me que de tal modo é este o meu tempo de dor e amargura que não posso ver nem gostar de outra coisa do que ao meu Jesus sofredor e abandonado. Compadeço-me de Suas dores e penetra-me tão vivamente com elas o Seu Coração adorável que não conheço mais a mim mesma.” (Carta 135. de 17/1/1690, o.cit. pg. 471).
SANTA FAUSTINA KOWALSKA E O CARNAVAL
“Nos últimos dias do carnaval, quando rezei a hora santa, vi Nosso Senhor no momento da flagelação. – Oh que suplício inconcebível – Como Jesus sofreu terrivelmente quando foi flagelado. – Oh pobres pecadores, como será o vosso encontro no dia do julgamento com esse Jesus a quem agora martirizais? – O Seu Sangue corria para o chão, e em alguns lugares o corpo começou a desprender-se. E vi nas costas alguns dos Seus ossos despidos de carne... Jesus, silencioso, gemia e suspirava.” (188)
9 de Fevereiro de 1937. “Nestes dois últimos dias conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos neste dia. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista. E o Senhor deu-me a conhecer quem sustenta a existência dessa humanidade: são as almas escolhidas. Quando se completar o número dos escolhidos, o mundo não existirá mais. Nestes dois dias recebi a comunhão reparadora e disse ao Senhor: ‘Jesus, hoje ofereço tudo pelos pecadores, que os golpes da vossa Justiça atinjam a mim e um mar de misericórdia envolva os pobres pecadores’. E o Senhor atendeu ao meu pedido; muitas almas voltaram-se ao Senhor, mas eu agonizava sob o peso da Justiça Divina; sentia que era objeto da ira do Deus Altíssimo. À noite o meu sofrimento atingiu um tão grande abandono interior que gemidos saiam do meu peito, mesmo contra a minha vontade. Fechei-me à chave no meu quarto e comecei a adoração ou seja, a Hora Santa. O abandono interior e o sentimento da Justiça Divina, era a minha oração. Os gemidos e a dor que saíam da minha alma ocuparam o lugar do doce diálogo com o Senhor.”
“Então, de repente, vi o Senhor que me estreitou ao Seu Peito e disse: - ‘Minha filha, não chores, porque não posso suportar tuas lágrimas. Eu lhes darei tudo o que pedes, mas não chores mais.’ – E inundou-me uma grande alegria, e o meu espírito, como de costume, mergulhou nEle como meu único tesouro.” (Diário, n°926-928).
27 de fevereiro de 1938. ÚLTIMOS DOIS DIAS DO CARNAVAL. “Os meus sofrimentos físicos aumentaram. Procurei unir-me mais estreitamente com o Salvador, pedindo-Lhe misericórdia para o mundo todo, que enlouquece em sua maldade. O dia todo senti a dor da coroa de espinhos. Quando fui me deitar, não podia encostar a cabeça no travesseiro, porém às 10 horas desapareceram as dores e adormeci, sentindo contudo no dia seguinte, um grande aniquilamento.” (n°1619).
______________________________________________________________________ “Ofereço-Vos, ó Meu Deus... EM REPARAÇÃO DE NOSSAS OFENSAS...” – O OFERECIMENTO REPARADOR é a razão de ser do Apostolado da Oração (deJoão Paulo II, 13 Abril de 1985)
É espantoso como ofendiam a Deus os pecados que se cometiam no carnaval antigamente (relato em 1937 de Santa Faustina e 1687-1690 relato de Santa Margarida Maria.) Meu Deus, o que não será agora!!!